quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

FAZENDA DAS PALMEIRAS

Você sabia que Ribeirão Preto começou com uma cruz de madeira fincada no meio do bairro das Palmeiras em 1845 e hoje é uma das potências do interior do Brasil?

Tudo começou quando José Mateus dos Reis doou terras para erguer uma capela em louvor a São Sebastião das Palmeiras. Depois vieram novas doações de famílias como Bezerra, Alves, Antunes, Gonçalves, Pedroso, Terra e outras, formando o patrimônio que daria origem à cidade. 

Aos poucos, surgiram os fundadores que empurraram Ribeirão para frente, entre eles Bernardo e Antônio Alves Pereira, Manuel do Nazareth Azevedo e vários padres pioneiros. 

Com o tempo, o pequeno núcleo virou distrito, vila, depois cidade – passando até a se chamar Entre Rios por alguns anos, antes de voltar ao nome Ribeirão Preto. 

Hoje são 731.639 habitantes (2025), PIB per capita de R$ 55.484,91, mais de 350 mil trabalhadores formais, salário médio de 2,7 salários mínimos, 189 escolas de ensino fundamental, 83 de médio, 98,04% de esgotamento sanitário e 91,43% de ruas arborizadas. 

Ribeirão Preto - SP - Brasil


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Fazenda das Palmeiras 

Em 2 de novembro de 1845, um grupo de moradores fincou numa parte da Fazenda das Palmeiras uma cruz de madeira. Naquela época era ali que se pretendia construir primeiramente uma igreja, para o surgimen­to de um povoado. Começava ali um processo que, oficialmente, só seria finalizado onze anos depois, em 1856. 

Até 2003, na base da cruz (hoje de cimento) que sinaliza o local exato onde foi fincada a ori­ginal de madeira, existia uma pla­ca de ferro, instalada pela Prefeitura, com a seguinte frase: “Marco da 1ª ma­nifestação civilizatória de Ribei­rão Preto”. É o reconhecimento oficial de que foi ali que se mani­festou, pela primeira vez, o desejo dos habitantes dessas terras em formar um povoado.

Quem passa pela avenida Antônia Mugnatto Marincek, a popular “Estrada das Palmeiras”, acesso aos bairros do cha­mado Complexo Ribeirão Verde, já deve ter reparado no cruzeiro localizado de­fronte a Igreja de Santa Rita de Cássia das Palmeiras. Mais do que um monumento de cimento, é o passado mais remoto da his­tória de Ribeirão Preto.A missa campal de 2 de novembro de 1845, ao redor daquela cruz de madeira foi ce­lebrada pelo vigário de São Si­mão, que tinha jurisdição sobre essas terras. 

É o primei­ro registro histórico da doação de terras para a construção de uma igreja e o surgimento de um povoa­do que só vai terminar em 19 de junho de 1856, quando um juiz dá um despacho favorável à demarcação do patrimônio de São Sebastião em terras doadas a alguns quilômetros de distân­cia do local onde se pretendia fundar um povoado – em vez da Fazenda das Palmeiras (hoje Jardim das Palmeiras), a vila nasceu em parte da Fa­zenda da Barra do Retiro (área central de Ribeirão Preto).

Ainda resta uma lembrança desse passado distante – o Mu­seu Histórico e de Ordem Geral Plínio Travassos dos Santos, no campus ribeirão-pretano da Uni­versidade de São Paulo (USP) –, guarda uma lasca de madeira que seria da cruz original. A informa­ção é do historiador e ex-diretor dos museus municipais José Pe­dro Miranda, em artigo publica­do na imprensa local em 1985: 

“Em 2 de novembro de 1845, no bairro das Palmeiras, era fin­cada uma cruz, de madeira, ini­ciando-se o processo que se ar­rastou por quase onze anos, para a formação de um patrimônio para a capela de São Sebastião. Essa região fazia parte de São Simão, do Bispado de São Paulo. A cruz resistira até por volta de 1853. Parte da mesma se encontra em exposi­ção no Museu Municipal de Ribeirão Preto, em uma redoma de vidro, no nicho de um ora­tório da família Emboaba. 

Por volta de 1954 foi colocada uma segunda cruz, de cimento, que resistiu por algum tempo, em frente da capela daquele bairro de Ribeirão Preto. Em 2 de no­vembro de 1975 (130º aniversá­rio da primeira missa campal) foi colocada uma terceira cruz, por dom Bernardo José Bueno Miele, arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto”. 

Na década de 2000, este re­pórter (Nicola Tornatore) localizou, na reserva técnica do Museu Histórico, a citada lasca de madeira. Tem cerca de 20 centímetros de comprimento e estava conser­vada em uma redoma de vidro.